Giovanna Massoni
Entrevista com a directora artística da Reciprocity, a Bienal Internacional de Design de Liège, na Bélgica.

Entrevista: Tiago Krusse
Fotografia: Cortesia de Giovanna Massoni
Quando foi convidada para assumir a direcção artística da Reciprocity?
Fui contactada em Maio de 2011.
Como é trabalhar com a Wallonie Design?
É um prazer enorme! Muita energia e espírito aberto. Há uma capacidade para acolher novas ideias e confiar nos colaboradores externos, como eu. Acima de tudo é bom trabalhar em experiências novas onde todos evidenciam grande entusiasmo.
Há quanto tempo estão os promotores a trabalhar para este evento?
A bienal existe desde 2002. A Walonnie Design foi designada para a gestão executiva um pouco antes da minha escolha como directora artística.
Que quantia de investimento está envolvida nesta edição?
Cerca de 650 mil euros o que não é uma verba muito alta se tivermos em comparação eventos semelhantes.
Quais as razões que levaram os organizadores a mudar o nome Bienal Internacional de Design de Liège para Reciprocity?
Bem, é uma escolha muito pessoal que deriva das minhas anteriores experiências como visitante profissional ou curadora convidada da bienal. Penso que a estratégia mais importante para que uma bienal funcione é focar o trabalho numa grelha programática contínua ao invés de colocar energia num programa que tem de recomeçar inúmeras vezes. Por outras palavras, em vez de um tema que muda sazonalmente eu pensei que seria mais eficaz atribuir um mote geral ao evento de modo a que em cada edição os novos curadores pudessem explanar os seus diferentes pontos de vista. Torna-se muito mais complexo de gerir mas entendo que o resultado final é mais enriquecedor para todos! Por outro lado, a nova gestão e os novos objectivos, mais orientados para a inovação social, precisava de comunicar uma clara mudança de estratégia, começando pelo nome. A definição do termo bienal é muito ambígua que se refere essencialmente a um período de tempo. Agora o conteúdo torna-se mais importante que uma mera data!
Já foi curadora de alguns eventos de design importantes. Porque decidiu escolher essencialmente organizações de design belga para trabalhar e promover as suas actividades?
Deriva essencialmente do facto de eu viver na Bélgica, tenho que admitir… mas não é uma simples razão prática mas antes uma via de eu ir de forma mais aprofundada às raízes de uma cultura. Mas eu gosto de colaboração com outras organizações internacionais e designers. Quando tenho essa oportunidade, como já fiz no passado com a Addict Creative Lab e o DesignSingapore Council, sinto-me mais solta. A Reciprocity é uma oportunidade ainda maior para alargar horizontes de uma forma mais estruturada.
Quais os objectivos essenciais traçados para esta 6.ª edição da bienal?
Os objectivos são tornar o evento mais participativo no que diz respeito às pessoas e convidar curadores e colaboradores. Pode soar um pouco pretensioso mas é de facto a nossa honesta intenção. Todas as exposições e simpósios são de entrada livre e assim esperamos gerar dinamismo numa discussão sobre o papel do design. O projecto escolar Welcome to Saint Gilles ou a oficina para crianças KidsDrivenDesign envolvem uma participação activa de pessoas sem qualquer experiência em design. Em segundo lugar, sem ser secundário, o objectivo é despertar consciências para o que o design pode significar a um nível social e público. A colaboração com a rede Desis, uma cadeia internacional de escolas onde o design para uma inovação social é vivida por professores e alunos, tem um significado muito especial para esta primeira edição e transformar-se-á mais estrutural nas edições futuras.
Qual foi o conceito desenvolvido pelos eventos? Ou cada evento terá o seu programa específico?
Como disse, a ideia é trabalhar sobre uma diversidade de visões. Cada evento tem um tema específico mas há uma reciprocidade voluntária entre o formato da exposição e o momento de debate. A exposição Crafts&Industry será acompanhada de uma mesa de debate internacional assim como Memorabilia – conversa “Objectos da Memória”, e Welcom to Saint-Gilles que sera integrado no simpósio de dois dias organizado pela Desis, no conceito de “Público e Colaborativo”, como o design pode ajudar as pessoas e as autoridades públicas a melhorar a qualidade de vida.
A Reciprocity tem apenas como objectivo focar os aspecctos culturais e sociais?
Não. Crafts&Industry é um projecto que analiza a actual produção de design enquanto que a abordagem geral da inovação social tem apenas a ver com o design como um factor económico: iniciativas de inovação social são formas de participação alternativas ao actual sistema económico gerando o bem-comum para as comunidades…
Que reflexões e posições formais sobre design vão ser difundidas?
O despertar de uma maior percepção social sobre o papel do design e o enfoque de uma maior responsabilidade para com a produção e o consumo no que diz respeito ao mercado do design. Mas acima de tudo, os princípios de que o design é uma metodologia, uma maneira de pensar e fazer produtos, serviços e soluções, orientada para fortalecer a equidade social e melhorar a participação colectiva na administração pública.
Como descreve a percepção dos belgas perante o design?
Talvez por uma tradição menor na história do design quando comparada com a de outros países como a Alemanha ou a Itália, a Bélgica é certamente mais orientada para apoiar o design como uma incubadora cultural e social.
Como vai a cidade receber e coordenar os visitantes durante o evento?
A câmara desempenha um papel muito activo e a par da Província de Liège – principal parceiro e mentor da bienal, a parceria vai proporcionar resultados muito bons.
Um dos parceiros é a Design Flanders por isso será adequado assumir que a calendarização do evento teve em consideração a Interieur em Kortrijk?
É claro que tivémos. A Bélgica é muito pequena e vai contra os nossos princípios ignorar importantes eventos como esse. A edição da Interieur é comunicada no nosso sítio como outro dos eventos internacionais que terão lugar durante o mesmo período de tempo.
O tecido industrial de Liège está relacionado com os fármacos, as telecomunicações e a engenharia pesada. Nestes últimos 20 anos quais foram as maiores evoluções sentidas na cidade no que diz respeito ao design e suas indústrias?
A tarefa principal da Wallonie Design é informar e gerar conhecimento sobre o papel do design na indústria. Tem sido um desenvolvimento muito conseguido nestes anos mais recentes.
Que instituições e profissionais belgas forma chamados ao programa da bienal?
O departamento cultural da Província de Liège e a Wallonie Design, acima de tudo, a par de outras instituições. As principais academias de design belgas (La Cambre Brussels, Mad Faculty de Genk, Saint Luc Liège e Tournai) que colaboraram com a Design Academy de Eindhoven, a Gut Rosenberg em Aachen e a Academia de Maastricht. A Wallonie-Brussels Design/Mode e a Design Flanders foram convidadas para apresentar dus exposições.
Que expositores e convidados especiais vindos de fora gostaria de destacar?
Desculpe mas merecem-nos todos o mesmo respeito!
Entre expositores e convidados, nacionais e estrangeiros, qual o número de participantes?
Cerca de 300 pessoas incluindo estudantes, designers, empresas e oradores.
No que a expectativas de visitantes nacionais e estrangeiros diz respeito, que a vossa projecção?
A bienal de 2010 registou 35 mil visitantes. Esperamos que esta ano seja maior mas mais importante do que isso será o nível das participações aos debates.
Qual é o principal objectivo que os organizadores da Reciprocity querem retirar desta edição?
Recebermos a confiança e o apoio capaz de gerar continuidade nos meses após o términos do evento. A ideia é transformar este evento numa plataforma contínua que permita desenvolver projectos de inovação social.





