O festival da arquitectura
ENTREVISTA A PAUL FINCH, DIRECTOR DO FESTIVAL MUNDIAL DE ARQUITECTURA, QUE NOS DEIXA IMPRESSÕES DE UM FORMATO LANÇADO EM 2008, EM BARCELONA, E QUE, APÓS TRÊS ANOS DE CLAUSURA IMPOSTA PELA PANDEMIA, VISITA LISBOA.    

A poucas semanas do início do Festival Mundial de Arquitectura 2022, que se realiza em Lisboa, de 30 de Novembro a 2 de Dezembro, na FIL, fomos conversar com Paul Finch no intuito de obtermos a sua impressão do panorama actual da actividade e o papel que esta iniciativa tem representado ao longo das suas edições.

Paul Finch, director do Festival Mundial de Arquitectura

Texto: Tiago Krusse

Fotografias: Cortesia da World Architecture Festival

O festival tem como propósito ser uma celebração crítica do trabalho de arquitectos e de designers pelo Mundo. O objectivo é que todos os que o visitem sejam informados e inspirados por ideias criativas, direccionadas a problemas semelhantes em diferentes culturas e climas

Como é que o Festival Mundial de Arquitectura evolui e em que estado se encontra neste momento?

Estamos muito felizes por realizar o nosso primeiro evento ao vivo ao fim de três anos de restrições! Este é o nosso décimo quinto ano e o festival tem um formato muito semelhante ao que lançámos em Barcelona em 2008: uma mistura de avaliação crítica de prémios, sessões de conferências temáticas e uma interacção animada de delegados das mais variadas nacionalidades.

Quem são os principais beneficiários do festival e quais são os benefícios daqueles que nele participam?

O festival tem como propósito ser uma celebração crítica do trabalho de arquitectos e designers pelo Mundo. O objectivo é que todos os participantes sejam informados e inspirados por ideias criativas, abordando problemas semelhantes em diferentes culturas e climas.

Quais foram as razões que ditaram que Lisboa fosse a cidade escolhida para esta edição?

Lisboa é uma bela cidade com uma forte cultura arquitectónica e de design, estando envolvida com os problemas do clima e das mudanças sociais de uma forma criativa.

Quais são os destaques do programa deste ano?

O nosso tema de conferência, ‘Juntos’, reflectirá o facto de estarmos a reunir-nos novamente após os “Anos Covid”, pelo que a atmosfera do festival será muito especial em 2022.

Como vê as novas realidades no campo da arquitectura e o que sente como imperativo mudar nas práticas de todos os actores envolvidos no mercado?

É evidente que a actual crise das alterações climáticas continua a influenciar o trabalho e o pensamento de todos os aspectos do design, desde o custo de vida completo até à atitude representada na frase “vida longa, ajustar-se, baixa energia”.

O Festival Mundial de Arquitectura continua empenhado nas suas iniciativas. Quais os factores que ditam o seu sucesso, a sua sustentabilidade e a sua projecção em todo o mundo?

Acreditamos que a discussão e exposição do que o universo da arquitectura e do design está a pensar e a produzir em todo o mundo é uma contribuição útil para o debate sobre a construção do nosso futuro ambiental. O fértil cruzamento de ideias e culturas é um benefício de um evento presencial onde a discussão pode ser feita de modo mais informal ou social como também intelectual e profissional.

Qual foi o envolvimento da Câmara Municipal de Lisboa e que parcerias foram estabelecidas?

Tivemos reuniões iniciais e úteis com a Câmara Municipal de Lisboa, o que nos deu o incentivo no que diz respeito à localização do festival. Algumas ideias não foram seguidas devido a dois anos de Covid.

O festival estabeleceu ligações com a Ordem dos Arquitectos e com a Trienal de Arquitectura de Lisboa?

Tivemos reuniões úteis com a Ordem dos Arquitectos e, particularmente, relações positivas e construtivas com os organizadores e curadores da Trienal de Arquitectura de Lisboa, que estão a participar no festival.

Quais são as suas expectativas em relação a Lisboa e ao público português?

Visitantes do festival e principalmente arquitectos e designers, por isso não esperamos muita interacção com o público. No entanto, sentimo-nos confiantes de que os nossos delegados irão apreciar imenso a cidade de Lisboa, quer estejam ou não familiarizados com ela. A cidade tem uma maravilhosa reputação de hospitalidade e design.

Como vê o papel dos arquitectos nas sociedades de hoje?

Os arquitectos projectam os antecedentes da História de todas as nossas vidas: nascimento, infância, escola, faculdade, local de trabalho, espaço lúdico, habitação, hospital e criam os arredores nos quais terminamos as nossas vidas. As experiências destes ambientes podem ser boas, más ou indiferentes – a tarefa da arquitectura é tentar tornar estas experiências tão agradáveis, amenas e enriquecedoras quanto possível.


Quais os momentos que guarda como os mais memoráveis da história do festival?

De certa forma, ver o primeiro festival acontecer de facto: provar que podíamos pôr as nossas ideias em prática com sucesso! Os momentos mais agradáveis de cada ano são quando se encontram indivíduos e audiências que se recordam claramente do motivo pelo qual se apaixonaram pela arquitectura em primeiro lugar.

Paul Finch


Paul Finch é o director de programa do Festival Mundial de Arquitectura (WAF). Começou a sua vida profissional como jornalista no início da década de 1970; editou o Building Design, Architects’ Journal e Architectural Review, onde lançou o WAF em 2008.

Tem sido co-editor de Planeamento em Londres desde 1994. Foi comissário fundador e posteriormente presidente da CABE (Commission for Architecture & the Built Environment), onde também presidiu ao seu programa de revisão de design, presidindo posteriormente ao seu painel de design dos Jogos Olímpicos de Londres de 2005 a 2012.

Tem um doutoramento honorário da Universidade de Westminster e bolsas honorárias do University College London e do Royal Institute of British Architects. É membro honorário do British Council for Offices e da Architectural Association. Foi-lhe atribuída uma EFC para serviços de arquitectura em 2002.