Apartamento em Kensington
O TRABALHO DE ARQUITECTURA DA DE ROSEE SA RESTAUROU UMA FRACÇÃO DE UM EDIFÍCIO DO FINAL DO SÉCULO XIX, NO DISTRITO LONDRINO DE KENSINGTON, NO REINO UNIDO, E COMPLEMENTOU-O COM UM NOVO DESIGN DE INTERIORES DA AUTORIA DA ERICSSON INTERIORS, COM QUEM TRABALHARAM EM ESTREITA PARCERIA.

O apartamento com 255 metros quadrados foi restaurado e reformulado com o propósito de recuperar a atmosfera e a elegância da época Victoriana e projectado para satisfazer o gosto pelo requinte e desejo de conforto de uma família.

Texto: Tiago Krusse

Imagens: Cortesia da De Rosee Sa. Fotografia de Alexander James

Foram instaladas lareiras de mármore para fazer referência aos detalhes do período original dos apartamentos
A volumetria existente permitiu seleccionar móveis de grandes dimensões para preencher o espaço, incluindo a iluminação de autor e uma mesa de jantar de grande diâmetro.
As salas de estar e de jantar beneficiaram dos tectos altos originais da propriedade, apresentando janelas altas com proporções elegantes.

As portas francesas, no estilo original, foram instaladas para abrir na varanda com vista para o jardim comunal em baixo

O colectivo de arquitectos da De Rosee Sa trabalhou em parceria com a Ericsson Interiors neste projecto de restauro e de reforma de interiores efectuado num apartamento em Kensington, em Londres, no Reino Unido. A reforma do apartamento, datado e envelhecido, foi ao encontro do desejo de uma família em recuperar a graça da construção da época Victoriana. Foi preservada a atmosfera elegante e sóbria, trazendo-lhe uma leveza de interiores marcados pela escolha de matérias-primas ricas, pavimentos e revestimentos, e uma selecção de bons produtos de design, numa linha contrastante e ao mesmo tempo complementar ao sentido estético e à funcionalidade de um todo.


O edifício, construído no final do século XIX, foi desenhado e programado no estilo próprio de uma arquitectura do final da época Victoriana. A reforma interna efectuada ao apartamento surge como uma necessidade natural de criar um percurso entre as diferentes áreas da casa, de ter uma forma mais fluída, ganhando planos mais abertos, desafogados e uma harmonia entre todas as divisões.

O apartamento continha poucos elementos da época pelo que a equipa sentiu a necessidade de integrar novos elementos em sintonia com a arquitectura existente. As janelas com vitrais foram de novo introduzidas, com desenhos e padrões ao estilo, bem como as lareiras estruturadas em mármore que assim reforçaram a memória dos detalhes do período histórico do edifício bem como à memória das vivências da época a que reporta.

Deu-se importância à ligação das salas “públicas”, criando um plano aberto, com a opção de fechar um canto para a televisão, com uma “parede” de marcenaria de nogueira contrastando com o azulão.


Aos arquitectos foi colocado o desafio de ligar a cozinha, até então divisão isolada, às principais zonas de estar. Respeitando as restrições expressas pelo dono do edifício, não foi possível mudar a localização da cozinha. Ao abri-la para entrada do apartamento a equipa da De Rosee Sa conseguiu posicioná-la na área central da casa.

Outra característica realçada pelos arquitectos, na ficha descritiva do projecto, foi a importância dada ao programa de ligar as divisões principais entre si, criando uma maior amplitude e uma linha de enfiamentos que reforçam o desejo de uma circulação contínua entre as áreas sociais. Uma percepção de mais espaço e desafogo foi reforçada por abertura de portas pelo apartamento.

Jantar na cozinha e banquetes embutidos – optimiza o espaço junto à janela. A forma de banquete foi uma resposta à geometria invulgar do edifício

O formato da cozinha e a colocação de um banco corrido foi a fórmula encontrada para integrar a renovada divisão na geometria pouco usual do edifício. Optimizando o espaço à janela com lugares sentados criou-se a oportunidade para a família ali poder reunir-se ao pequeno-almoço, para fazer uma pausa ou proporcionar um local tranquilo e ideal para a leitura.

A madeira, a pedra e o bronze tomam um papel preponderante na forma como complementam com os trabalhos de marcenaria efectuados por todo o apartamento. O contraste de materiais foi importante para a equipa De Rosee Sa conseguir estabelecer um equilíbrio entre o antigo e o novo.

Nas duas casas de banho as tonalidades escuras predominantes são realçadas pela luz natural, fazendo sobressair as formas, os padrões e as texturas com uma assumida visão estética e salientando um carácter.

A inovação e a criatividade trazidas nas soluções de design da equipa De Rosee Sa permitiram actualizar o espaço aos actuais ritmos e hábitos de vida, restaurando também elementos característicos de um forma de fazer arquitectura.

Foram seleccionados painéis de parede e murais para acentuar as proporções e compor a atmosfera interior

O hall de entrada tem um padrão geométrico preto e branco, cortado a partir de 3 mármores diferentes. Esta aplicação de rocha direcciona-se até a um chão, em espinha, de carvalho
A casa de banho principal, entrada através de uma porta espelhada deslizante, De Rosee Sa criou uma zona de banhos com chuveiros duplos e uma banheira independente. Uma tela separadora de aço com vidro canelado permite a difusão da luz pelo veio do mármore Bardiglio. A rocha natural é complementada por paredes de gesso polido, pálido, e acessórios pretos.

A segunda casa de banho segue uma linha estética semelhante. A equipa De Rosee Sa seleccionou um lavatório profundo, por medida, em mármore Paonazoo, e paredes pintadas em ‘Aged Black’, do Atelier Ellis, para acrescentar drama ao pequeno espaço.