Pelo lado bom

O Haus 1 é um edifício de escritórios, dos finais dos anos 90, que acaba de ser reformulado pela MVRDV, em parceria com a HS-Architekten, que se destaca na entrada do Atelier Gardens, em Berlim, na Alemanha. Uma transformação que traz consigo factores de sustentabilidade e cor, numa disposição para o optimismo.

Texto: Tiago Krusse
Imagens e fotografias: Cortesia da MVRDV. Fotografias de Schnepp Renou, Lukas Drobny 

O Haus 1 está inserido nos Atelier Gardens, uma área de regeneração urbana localizada a sul de Berlim e zona de trabalho da Berliner Union Film Ateliers e que no actual momento abre espaço para, a par das actividades ligadas à indústria do filme, o funcionamento de organizações, individuais e colectivas, relacionadas com o activismo climático e a justiça social. É o segundo trabalho da MVRDV na zona, o primeiro fora o edifício Ton 1, reaberto no ano passado, uma estrutura construída em 1920 e estúdio cinematográfico histórico da produção audiovisual alemã. Ali bem perto, ao alcance da vista, encontra-se o desactivado aeroporto Tempelhof, construído durante regime nazi, actualmente uma infra-estrutura que é utilizada como parque pelos cidadãos e também explorado pela edilidade para a realização de alguns eventos culturais e comerciais.
O edifício amarelo vivo, Haus 1, foi construído em 1997, tem uma superfície de 2575 m², e a sua obra de reformulação, para o cliente Fabrix, projecto iniciado em 2020 e obra concluída este ano. A reforma contemplou aspectos ligados à sustentabilidade e uma planificação que concebeu um programa de escritórios e um bar restaurante. Para além do optimismo expressado na cor, destaca-se um terraço com um pavilhão e uma grande escadaria externa.

A mais perceptível alteração no Haus 1 é a mudança de cor no edifício, originalmente branco, e o propósito está de acordo com a filosofia optimista para o novo programa urbano da polo da Berliner Union Film Ateliers. Tal como as grandes catedrais góticas, pela escala e forma, se transformaram em pontes de referência na paisagem, aqui é a utilização da cor que capta a atenção de longe e de perto. A escadaria externa sobressai também, guiando o caminho para o terraço e o pavilhão de madeira ali instalado.

O Haus 1 foi ampliado com um pavilhão de madeira, estruturado em módulos pré-fabricados laminados cruzados. Os materiais têm base biológica e os acabamentos seguem uma filosofia saudável, como o tecto de argila. O telhado, onde se incluem plantas autóctones, para além de se tornar acessível pelo exterior, complementa a recolha de água da chuva, essencial para o plano abrangente de retenção hídrica implementado no local.

O plano paisagístico, o novo isolamento do telhado e as protecções de sol nas duas fachadas de vidro permitem que o edifício se comporte adequadamente às oscilações de temperatura durante as diferentes estações do ano. No Verão diminui a temperatura, melhorando o comportamento climático do edifício, e nos meses de temperaturas mais baixas a implementação de um aquecimento de piso, de baixa temperatura, suaviza a atmosfera interior nos meses de frio.
A iluminação foi totalmente convertida para sistemas LED, mais eficientes no consumo energético. A sustentabilidade foi também pensada nas soluções de acessórios sanitários, todos eles eficientes em termos de consumo de água, incluindo sanitas de baixo consumo que serão lavadas com água da chuva reciclada da próxima fase do sistema de recolha de águas pluviais do polo.

O interior do HAUS 1 foi desenhado tendo em consideração uma reforma do espaço, projectado agora para dar lugar a áreas de trabalho e de reunião, adaptáveis em quatro pisos, incluindo a sede do Atelier Gardens e um café. As plantas foram alteradas de modo a maximizar a flexibilidade do edifício, simplificando futuras mudanças de utilização ou disposição e prolongando assim a sua vida útil.

Os arquitectos deram especial relevância à reutilização do máximo possível da estrutura, deram preferência a materiais duráveis, recicláveis e com uma baixa pegada ambiental sempre que era necessário novo material. A equipa que reformulou o HAUS 1 quis colocar em evidência como as transformações de edificado podem ser realizadas dentro do espírito de fazer mais com menos.

Arquitectura: MVRDV 

Responsável: Jacob van Rijs 

Parceria: Fokke Moerel 

Equipa de Design: Klaas Hofman, Jonathan Schuster, Monica Di Salvo, Pim Bangert, Andre Bahremand, Simone Costa, Egle Jacinaviciute, Andrea Molinari 

Visualização: Antonio Luca Coco, Angelo La Delfa, Jaroslaw Jeda 

Aconselhamento ambiental: Peter Mensinga 

Direitos autorais: MVRDV Winy Maas, Jacob van Rijs, Nathalie de Vries 

Parceiros  

Co-autoria: HS-Architekten (Markus Hirschmüller, Harald Schindele, Andreas Credo, Leonie Lorenz, Miguel Lopez, Maximilian August, Larissa Preuss, Benedict Tulinius, Goran Petrovic, Lydia Kotzan, Ioanna Nicolaou, Claudia Große-Hartlage) Paisagismo: Harris Bugg Studio 

Coordenação do projecto: Drees & Sommer 

Protecção de incêndio: Brandschutz Plus+ Eberl-Pacan Brandschutzplaner Engenharia de estrutura e fachada : Drees & Sommer SE M & E / Planeamento: Buro Happold Engenharia: Ingenieurbüro Axel C. Rahn Águas residuais: HATI Gesellschaft für Handwerk Technik und Innovation 

Supervisão no terreno: MKP 

Empreiteiro geral: KPM3 

Aconselhamento de iluminação: Deltalight 

Construção em metal: Metallbau Weinmann 

Carpintaria e cobertura: Zimmerei & Dachdeckerei Quappe 

Fotografia: Schnepp Renou, Lukas Drobny